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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Advogado escreve bilhete, faz cliente repensar e desistir de divórcio

A sensibilidade do jovem advogado Rafael Gonçalves, de 26 anos, natural de São Sebastião do Paraíso, cidade do Sul de Minas, auxiliou um casal, que estava decidido a se separar, em repensar o relacionamento e continuar a relação. O "conselheiro amoroso" publicou a história em seu perfil do Facebook nessa quarta-feira (24) e, até a tarde desta quinta (25), o relato já havia ganhado mais de 26 mil compartilhamentos e quase 18 mil comentários.

A história foi contada em dez parágrafos, que envolvia o relato emocionante do advogado e alguns conselhos para os casais que estão na mesma situação.

Há quinze dias, Rafael foi procurado por uma jovem, que ele preferiu não revelar o nome, mas que está casada desde o final de 2013. "Ela queria saber o valor de uma separação, como ficaria a questão da guarda da filha deles, e quais eram os procedimentos. Ouvi tudo e percebi que, durante a fala,  ela lembrava que o marido era um bom pai e que, no início do relacionamento, ele era muito bom pra ela", contou o advogado.

Ao perceber que ainda havia sentimentos na fala da mulher o advogado decidiu fazer com que sua cliente pensasse melhor sobre o assunto. "Lembrei a ela que não é porque a grama do vizinho está verde, que você deve prová-la. Disse a ela que o divórcio é a última alternativa e que eles não deveriam deixar outras pessoas influenciar nessa decisão. Ela me ouviu e confessou que amigos haviam passado pela mesma situação e que a separação foi uma ótima alternativa", lembrou.

Depois da explicação, a jovem teria ficado pensativa. Foi neste momento que Rafael resolveu utilizar o mesmo papel em que estava anotando a documentação necessária para a separação para deixar alguns questionamentos para que a jovem repensasse o porque estava tomando aquela decisão.

As perguntas - "eu fiz tudo que pude para salvar meu casamento?", "o divórcio é a melhor opção hoje?", "quem são minhas influências?" e, por fim,"quantos momentos vocês superaram juntos e como se conheceram" - fizeram com que a jovem repensasse a sua decisão. 

Depois de duas semanas, o casal retornou ao escritório. "Pensei que tinham vindo juntos para concretizar a separação. No entanto, eles vieram me entregar o papel e agradecer. Fiquei feliz e disse que estava perdendo uma cliente. Eles me responderam que tinha ganhado amigos. Isso me motiva", explicou o Rafael.

Em seu texto no Facebook, o jurista afirmou ter dado os conselhos em função do que aprendeu durantes a sua formação, onde foi orientado que deve sempre tentar um acordo entre as partes antes da decisão de partir pro campo jurídico.

Mas, além disso, o mineiro afirma ser movido pelo exemplo, já que seus pais são casados há 30 anos. "Em meio há conflitos de casais, eles sempre estiveram juntos e eu aprendi com eles. Sou católico também. Acho que essas formações ajudaram sim nas minhas atitudes de hoje", afirmou o advogado.

Fonte: O TEMPO

Veja abaixo a postagem na íntegra:
Rafael Gonçalves
Perdi uma cliente, mas ganhei um casal de amigos!
Como de praxe nas minhas consultas, anoto os documentos necessários à propositura da ação em meu bloco de anotações e solicito que o cliente traga a documentação. Mas esse caso era diferente... Ouvi pacientemente a cliente sobre os motivos que a levavam ao divórcio, e como na maioria das ações desse tipo, era perceptível a ligação do casal e o amor que ainda existia entre as partes.
Tratava-se de um momento de conflito único e aquela decisão, ao meu ver, era precipitada! Mas quem sou eu pra interferir na vida alheia? Quem sou eu pra meter a colher na relação do casal? Quem sou eu pra julgar a decisão de ambos? SOU O ADVOGADO! E aprendi ainda na faculdade que devo resolver conflitos, orientar as partes antes da decisão de partir pro campo jurídico. Assim fiz!
Fiz um pequeno questionário após solicitar os documentos e pedi que a moça respondesse as 4 perguntas a si mesma. Se após responder e analisar a situação com calma, longe do turbilhão de informações que estava lhe passando pela cabeça naquele instante, ainda assim resolvesse se divorciar, que bastava me trazer a documentação e eu botaria um fim naquela história!
As perguntas eram simples.
O que você fez pra tentar salvar seu casamento?! A maioria não faz absolutamente nada... e isso vai em desencontro com os motivos que te fizeram seguir até aqui. O divórcio deve ser a última opção, em todos os casos. Pense nos filhos, no convívio, nos primeiros meses do relacionamento. Se ja passaram por tantos perrengues, por que se deixar abalar por essa situação. (Cada caso é um caso).
O divórcio é a melhor opção hoje? Pode até ser! Mas seria a melhor opção daqui 2 semanas, quando a cabeça estiver fria, os problemas amenizarem e os motivos ficarem mais claros?! Não faça nada de cabeça quente. Decisões precipitadas destroem histórias.
Quais são suas maiores influências hoje?! Amigos? Parentes? Amantes? Tomar decisões influenciados por pessoas que não participam da sua rotina é um erro. Se a pessoa não tiver presunção de participar da sua vida pelo resto dela, não deve palpitar sobre isso. Filhos são uma boa influência nesse quesito. Ouça eles.
Quantos momentos superaram juntos e como se conheceram?! Pode até ser que nunca tenham passado por um momento assim, mas não custa relembrar as crises, brigas, separações do tempo de namoro e noivado. Se naquela época vocês conseguiram superar, por que não agora?! Se conheceram por algum motivo e tenham certeza que nada na vida acontece por acaso.
Finalizei perguntando se ela tinha expectativa de encontrar alguém que lhe desse tudo que o marido não está dando no momento. Ela afirmou com a cabeça. Encerrei dizendo que, quando a grama do vizinho estiver mais verde, não necessitamos de ir visitá-la, experimentá-la. Basta regar a nossa grama. Na vida é a mesma coisa. Antes de trocar, tente consertar.
Por incrível que pareça, o casal voltou hoje, devolveu minha anotação, dispensou os meus serviços e agradeceu os conselhos.
Resumindo: Perdi a cliente, mas ganhei um casal de amigos. São coisas simples da vida que valem a pena. E que essa história dure o tempo de Deus.

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